Ficha técnica
| Característica | Especificação |
|---|---|
| Composição | Positivo: Platina 90% / Ródio 10% (Pt90Rh10) · Negativo: Platina pura (99,99%) |
| Faixa de referência (tabela EMF) | -50°C a +1768,1°C |
| Faixa de operação contínua | 0°C a 1600°C |
| Uso de curto prazo | Até 1700°C |
| Tolerância Classe 1 (IEC 60584) | ±1,0°C, ou [1 + (t-1100) × 0,003]°C acima de 1100°C |
| Tolerância Classe 2 (IEC 60584) | ±1,5°C ou ±0,25% (o que for maior) |
| Sensibilidade | Aproximadamente 10 µV/°C |
| Cor do cabo (padrão IEC/DIN) | Laranja (positivo) / Branco (negativo) |
| Melhor atmosfera | Oxidante, inerte, curtos períodos em vácuo |
| Evitar | Atmosfera redutora, vapores metálicos, contaminação por sílica ou enxofre |
O termopar tipo S não é só “mais um sensor caro”
Um dado que costuma surpreender quem só conhece o tipo S pelo preço: ele é historicamente o termopar usado para definir o ponto de fusão do ouro (1064,43°C) na escala internacional de temperatura. Ou seja, não é apenas um sensor de alta precisão, é literalmente parte de como a temperatura é definida cientificamente em pontos fixos de referência. Essa é a razão pela qual laboratórios de calibração, incluindo o da Contemp, utilizam termopares tipo S como padrão de transferência em processos de calibração de alta exatidão.
Por que a sensibilidade baixa exige mais do seu instrumento
O termopar tipo S gera aproximadamente 10 µV/°C, uma fração da sensibilidade de um termopar tipo K (cerca de 41 µV/°C). Isso não é uma desvantagem em si, mas exige um instrumento de leitura com resolução e estabilidade compatíveis. Um indicador ou controlador projetado para termopares de metal básico pode não ter a resolução necessária para aproveitar toda a precisão que o tipo S oferece, tornando o investimento no sensor nobre parcialmente desperdiçado se o instrumento de leitura não acompanhar.

Por que o tipo S exige proteção cerâmica, não metálica
Diferente dos termopares de metal básico, cuja fraqueza é a oxidação da própria liga, o tipo S é quimicamente nobre e resiste bem à oxidação. O risco aqui é outro: contaminação. Vapores metálicos, sílica e compostos de enxofre presentes na atmosfera do forno podem migrar através de uma bainha metálica comum e contaminar a platina, alterando sua composição e sua curva de resposta de forma permanente.
Por isso, o tipo S deve ser protegido com tubo de proteção cerâmico de alta pureza, tipicamente alumina (Al2O3) com pelo menos 99,7% de pureza, comercialmente conhecida como cerâmica tipo 710 (nomenclatura mais recente, tipo 799). Tubos cerâmicos de pureza inferior (como o tipo 610, com cerca de 67% de alumina) não são recomendados para termopares de platina, mesmo sendo adequados para outras aplicações.

Termopar Tipo S da linha Contemp
A linha nobre da Contemp oferece o tipo S já com a proteção cerâmica adequada:
| Produto Contemp | Construção | Faixa | Observação | |
|---|---|---|---|---|
![]() | TCCL | Cabeçote de ligação, luva metálica e proteção cerâmica | 0°C a 1580°C (cerâmica 710 nacional suporta até 1600°C) | Disponível com rosca, bucim ou anel de fixação ao processo |
![]() | TCCC | Refil com isolador cerâmico capilar e bloco de ligação | 20°C a 1580°C | Elemento de reposição para quem já tem o tubo de proteção instalado |
Perguntas frequentes
- Qual a diferença entre o termopar tipo S e o tipo R? Ambos são ligas platina-ródio, mas o tipo R tem 13% de ródio no elemento positivo, contra 10% no tipo S. O tipo R tem sensibilidade ligeiramente maior, mas o tipo S é o mais usado como padrão de laboratório historicamente.
- O termopar tipo S pode ser usado em atmosfera redutora? Não é recomendado. Atmosferas redutoras aumentam o risco de contaminação da platina, mesmo com proteção cerâmica adequada. Para esses casos, vale avaliar alternativas de metal básico com proteção específica, como o termopar tipo N.
- Por que meu termopar tipo S está apresentando deriva mesmo protegido? As causas mais comuns são: tubo de proteção cerâmico de pureza insuficiente, rachaduras no tubo permitindo entrada de contaminantes, ou instrumento de leitura sem a resolução adequada para a baixa sensibilidade do sensor. Vale confirmar os três pontos antes de descartar o sensor como defeituoso.
- O termopar tipo S é sempre a melhor escolha para alta temperatura? Não necessariamente. Para faixas até cerca de 1280°C, o termopar tipo N pode ser uma alternativa com custo muito menor. O tipo S se justifica quando a aplicação exige a precisão e estabilidade que só a platina oferece, ou como padrão de calibração.
- A calibração do termopar tipo S segue os mesmos requisitos da CQI-9? Sim, com rastreabilidade RBC/Inmetro conforme ISO 17025, como qualquer sensor usado em processos avaliados pela CQI-9. Vale reforçar que a calibração de termopares nobres costuma exigir procedimento e padrões de referência específicos, diferentes dos usados para sensores de metal básico.
Resumindo
- O termopar tipo S (Pt90Rh10 / Pt puro) opera continuamente de 0°C a 1600°C, com tolerância de ±1,0°C (Classe 1) conforme IEC 60584.
- É historicamente o padrão usado para definir o ponto de fusão do ouro na escala internacional de temperatura.
- Sua sensibilidade baixa (~10 µV/°C) exige instrumento de leitura com resolução compatível, ou parte da precisão do sensor se perde.
- Diferente dos termopares de metal básico, o risco do tipo S é contaminação, não oxidação, por isso exige proteção cerâmica de alta pureza (tipo 710/799), nunca bainha metálica direta.
- A Contemp oferece o termopar tipo S nas linhas TCCL e TCCC, com proteção cerâmica adequada de fábrica.
Fale com a Contemp
Especificar corretamente a proteção cerâmica e confirmar se o seu instrumento de leitura tem resolução compatível com o termopar tipo S evita desperdiçar o investimento em um sensor nobre. O laboratório de calibração da Contemp, acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025, calibra termopares nobres com a rastreabilidade exigida pela CQI-9. Fale com nossos especialistas.
Leia também, na nossa série sobre CQI-9:
- Conceitos Básicos da CQI-9
- CQI-9: Termopar Nobre vs. Não Nobre (link a confirmar)
- Por que utilizar termopares de platina e onde aplicá-los?
- Termopar Tipo K: Guia Completo (link a confirmar após publicação)
- Termopar Tipo N: Por Que Substituir o Tipo K (link a confirmar após publicação)

