Termopar Tipo B: Temperatura Máxima e Aplicações Críticas

Ficha técnica

CaracterísticaEspecificação
ComposiçãoPositivo: Platina 70% / Ródio 30% (Pt70Rh30) · Negativo: Platina 94% / Ródio 6% (Pt94Rh6)
Faixa de uso contínuoAté 1700°C
Pico de curta duraçãoAté 1820°C, a maior entre os termopares nobres padronizados
Limite inferior práticoNão recomendado abaixo de 50°C
Cor do caboCinza (positivo) / Vermelho (negativo)
Melhor atmosferaOxidante, neutra; tolera vácuo por curtos períodos
EvitarAtmosfera redutora e contaminação por vapores metálicos

O termopar tipo B tem uma “zona morta” que muda como você deve especificá-lo

Aqui está um detalhe técnico pouco conhecido, mas fundamental na hora de especificar o termopar tipo B: ele produz a mesma tensão de saída a 0°C e a aproximadamente 42°C. Na prática, isso significa que o sensor não consegue distinguir com confiabilidade temperaturas abaixo de aproximadamente 50°C, tornando-o inadequado para qualquer aplicação de baixa temperatura, mesmo que ocasionalmente passe por essa faixa durante o aquecimento do processo.

Essa característica tem uma vantagem prática pouco explorada: como a tensão gerada entre 0°C e 50°C é desprezível, é possível usar fio de cobre comum na conexão até a junção de referência nessa faixa, sem necessidade do cabo de compensação específico exigido por outros termopares nobres. Para aplicações de laboratório ou onde a precisão é crítica mesmo nessa faixa marginal, o cabo de compensação correto continua sendo recomendado.

Por que o termopar tipo B aguenta mais temperatura que os tipos S e R

A resposta está na composição: o termopar tipo B tem 30% de ródio na perna positiva, contra 10% no termopar tipo S e 13% no termopar tipo R. O ródio em maior concentração reduz o problema de crescimento de grão da liga em temperaturas extremas, o que permite ao termopar tipo B operar em faixas mais altas do que seus parentes nobres sem perder estabilidade estrutural.

Isso não significa que o termopar tipo B seja indestrutível. Em uso contínuo em temperaturas extremas, pode ocorrer migração de ródio entre as duas pernas do termopar, um mecanismo de degradação próprio, diferente da oxidação seletiva do termopar tipo K ou da contaminação por vapores metálicos do termopar tipo S. Por isso, para aplicações críticas de alta temperatura, recomenda-se verificação de calibração em intervalo mais curto do que o padrão anual, tipicamente semestral, para capturar essa deriva antes que ela comprometa o processo.

Termopar Tipo B da linha Contemp

A linha nobre da Contemp cobre o termopar tipo B com proteção cerâmica adequada às temperaturas extremas que esse sensor suporta:

Produto ContempConstruçãoFaixaObservação
TCCL - Termopar com cabeçote de ligação, luva metálica e proteção cerâmica.webp-Tue Nov 28 2023 09_48_43 GMT-0300 (Horário Padrão de Brasília)TCCLCabeçote de ligação, luva metálica e proteção cerâmica0°C a 1580°C, cerâmica 710 nacional suporta até 1600°C, e a versão importada até 1900°CDisponível com rosca, bucim ou anel de fixação ao processo
TCCCRefil com isolador cerâmico capilar e bloco de ligação20°C a 1580°CElemento de reposição para quem já tem o tubo de proteção instalado

Vale destacar: o laboratório de calibração da Contemp é acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025 desde 2003, com escopo que cobre termopares nobres, incluindo o termopar tipo B. Se sua operação depende de calibração rastreável para sensores de platina em alta temperatura, vale confirmar diretamente com nosso laboratório o escopo específico para sua aplicação.

Perguntas frequentes

  1. O termopar tipo B pode ser usado para medir temperatura ambiente? Não é recomendado. Abaixo de aproximadamente 50°C, a tensão de saída do sensor é próxima de zero e não permite distinção confiável entre temperaturas, mesmo que o sensor fisicamente resista a essa faixa.
  2. Preciso de cabo de compensação especial para o termopar tipo B? Depende da aplicação. Entre 0°C e 50°C, a tensão gerada é desprezível e fio de cobre comum costuma ser suficiente. Para aplicações de precisão ou uso em toda a faixa operacional, o cabo de compensação específico é recomendado.
  3. Com que frequência o termopar tipo B deve ser recalibrado? Em uso contínuo em alta temperatura, recomenda-se verificação semestral, mais frequente que a periodicidade anual comum a outros sensores, por causa do risco de migração de ródio entre as pernas do termopar ao longo do tempo.
  4. O termopar tipo B é sempre a melhor escolha para temperaturas extremas? Para a faixa mais alta possível entre os termopares nobres padronizados, sim. Mas para processos que também precisam medir com confiabilidade em temperaturas mais baixas dentro do mesmo ciclo, o tipo S ou R podem ser mais adequados, já que não têm a mesma zona morta abaixo de 50°C.
  5. A calibração do termopar tipo B segue os mesmos requisitos da CQI-9? Sim, com rastreabilidade RBC/Inmetro conforme ISO 17025. Para processos de tratamento térmico crítico, como o setor aeroespacial, a calibração costuma seguir também requisitos de normas específicas do setor, além da CQI-9 aplicável à cadeia automotiva.

Resumindo

  • O termopar tipo B (Pt70Rh30 / Pt94Rh6) opera continuamente até 1700°C, com picos de curta duração até 1820°C, a maior faixa entre os termopares nobres padronizados.
  • Ele produz a mesma tensão de saída a 0°C e a aproximadamente 42°C, o que o torna inadequado para uso abaixo de 50°C.
  • Nessa faixa de baixa tensão, é possível usar fio de cobre comum na conexão, sem cabo de compensação específico, uma economia prática pouco explorada.
  • O maior teor de ródio (30% na perna positiva) é o que permite operar em temperatura mais alta que os tipos S e R, mas também exige atenção à migração de ródio entre as pernas ao longo do tempo.
  • A Contemp oferece o termopar tipo B nas linhas TCCL e TCCC, com proteção cerâmica compatível com temperaturas extremas.

Fale com a Contemp

Para aplicações que exigem a temperatura máxima entre os termopares nobres, a combinação certa de proteção cerâmica e periodicidade de calibração faz toda a diferença na vida útil do sensor. O laboratório de calibração da Contemp, acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025, atende termopares nobres com a rastreabilidade exigida pela CQI-9. Fale com nossos especialistas.


Leia também, na nossa série sobre CQI-9:

  1. Conceitos Básicos da CQI-9
  2. CQI-9: Termopar Nobre vs. Não Nobre (link a confirmar)
  3. Termopar Tipo S: Como Funciona e Quando Usar (link a confirmar após publicação)
  4. Por que utilizar termopares de platina e onde aplicá-los?
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A Contemp tem expertise na fabricação e comercialização de produtos para medição e controle de temperatura em em processos industriais.
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