| Característica | Especificação |
|---|---|
| Composição | Positivo: Nicrosil (Ni-Cr-Si) · Negativo: Nisil (Ni-Si) |
| Faixa de temperatura | -270°C a +1300°C (uso contínuo prático até cerca de 1260°C a 1280°C, conforme condição de serviço) |
| Tolerância Classe 1 (IEC 60584) | ±1,5°C ou ±0,4% (o que for maior), mesma faixa do tipo K |
| Tolerância Classe 2 (IEC 60584) | ±2,5°C ou ±0,75% (o que for maior), mesma faixa do tipo K |
| Padronização | BS EN 60584-1 (1986), posteriormente IEC 60584 |
| Melhor atmosfera | Oxidante, com estabilidade superior ao tipo K na mesma condição |
O termopar tipo N não é “só um tipo K melhor”, é uma correção de projeto
O termopar tipo N (Nicrosil-Nisil) foi desenvolvido especificamente para resolver as duas fraquezas mais conhecidas do tipo K: a instabilidade por ordenamento de curto alcance na faixa de 200°C a 600°C, e a suscetibilidade ao green rot em atmosferas com baixo teor de oxigênio acima de 800°C, que já detalhamos no artigo sobre o termopar tipo K. O silício presente nas duas ligas do termopar tipo N forma uma camada de óxido protetora mais robusta e mais estável do que a formada pelo cromo isolado notermopar tipo K, o que reduz a exposição do material às condições que causam essas duas formas de deriva.
Isso não significa que o tipo N seja imune a qualquer degradação, mas ele é estruturalmente mais resistente às duas causas de deriva mais comuns em processos de tratamento térmico.

Comparativo: termopar tipo K x termopar tipo N
| Aspecto | Termopar Tipo K (Chromel-Alumel) | Termopar Tipo N (Nicrosil-Nisil) |
|---|---|---|
| Faixa de temperatura | -200°C a +1260°C | -270°C a +1300°C |
| Tolerância (Classe 1 e 2, IEC 60584) | Igual ao tipo N | Igual ao tipo K |
| Estabilidade entre 200°C e 600°C | Sujeito a deriva por ordenamento de curto alcance | Repetibilidade superior nessa faixa |
| Resistência ao green rot (800°C a 1260°C, baixo oxigênio) | Suscetível | Significativamente mais resistente |
| Custo | Menor | Ligeiramente maior |
| Disponibilidade no mercado | Ampla | Menor que o tipo K, porém crescente |
| Alternativa a sensores nobres (S, R) | Não indicado para essa função | Pode substituir S/R em parte das aplicações, a uma fração do custo |
Quando vale a pena pagar mais pelo termopar tipo N
A diferença de custo entre termopar tipo K e termopar tipo N só se justifica quando a estabilidade tem valor financeiro real para o seu processo. Isso costuma acontecer em três situações:
- O histórico de TUS ou SAT mostra reprovação ou desvio sem uma causa física identificável no forno, sinal de que o próprio sensor pode estar derivando.
- O processo opera de forma recorrente na faixa de 200°C a 600°C, onde o termopar tipo K é estruturalmente mais instável.
- O processo opera entre 800°C e 1260°C em atmosfera com potencial de baixo teor de oxigênio (fornos com atmosfera controlada, tubos de proteção longos e estreitos com pouca circulação de ar), onde o risco de green rot é maior.
Fora desses cenários, o tipo K continua sendo uma escolha tecnicamente válida e mais econômica.

Termopares Tipo N da linha Contemp
O termopar tipo N está disponível como opção de sensor em boa parte da linha de termopares da Contemp, geralmente especificado com bainha de Inconel 600 para reforçar a resistência à oxidação em alta temperatura:
| Produto Contemp | Construção | Faixa | Por que considerar para termopar Tipo N | |
|---|---|---|---|---|
![]() | SMCL / SMCR | Isolação mineral com cabeçote de ligação | -160°C a 1150°C | Isolação mineral reduz ainda mais a exposição do fio à atmosfera do processo, somando-se à resistência própria do termopar tipo N. |
![]() | TAML | Angular, para banhos de tratamento térmico | -50°C a 1000°C | Aplicação direta em fornos de tratamento térmico, onde a estabilidade do termopar tipo N compensa o custo adicional. |
![]() | TPNR | Niple união, poço usinado, rosca de fixação | -160°C a 1150°C | Poço de proteção usinado permite reposição do sensor sem interromper o processo, útil quando se justifica o termopar tipo N por criticidade. |
![]() | SCTM | Proteção metálica com cabeçote de ligação | -50°C a 1150°C | Alternativa robusta quando a isolação mineral não é necessária. |
Perguntas frequentes
- O termopar tipo N substitui completamente o tipo termopar K em qualquer processo? Não necessariamente. Para processos fora das faixas críticas de instabilidade do tipo K (200°C a 600°C recorrente, ou 800°C a 1260°C em atmosfera de baixo oxigênio), o tipo K continua sendo uma opção tecnicamente adequada e mais barata.
- O tipo termopar N pode substituir um termopar nobre (S ou R)? Em parte das aplicações, sim, até cerca de 1280°C dependendo da condição de serviço, a um custo muito menor que os termopares de platina. Para processos que exigem a precisão e estabilidade extrema dos tipos S, R ou B, a substituição não é recomendada.
- A calibração do termopar tipo N segue os mesmos requisitos de rastreabilidade da CQI-9? Sim. Independentemente do tipo de termopar, a CQI-9 exige calibração rastreável emitida por laboratório acreditado (RBC/Inmetro, conforme ISO 17025), sem exceção.
- Por que o termopar tipo N não é tão usado quanto o tipo K, se é tecnicamente superior? Principalmente por disponibilidade e familiaridade histórica do mercado com o tipo K, além do custo ligeiramente maior. A adoção do tipo N tem crescido à medida que mais empresas identificam deriva recorrente em processos críticos.
- Um forno que hoje usa termopar tipo K precisa trocar todos os sensores de uma vez? Não necessariamente. É possível priorizar a troca nos pontos mais críticos (onde há histórico de desvio ou onde o processo opera nas faixas de maior risco do tipo K) antes de expandir para o restante da instalação.
Resumindo
- Otermopar tipo N (Nicrosil-Nisil) foi desenvolvido especificamente para corrigir as duas principais fraquezas do termopar tipo K: instabilidade entre 200°C e 600°C, e suscetibilidade ao green rot entre 800°C e 1260°C.
- A faixa de temperatura e as tolerâncias IEC 60584 são praticamente as mesmas do termopar tipo K, a diferença está na estabilidade ao longo do tempo, não na precisão nominal.
- Vale pagar mais pelo termopar tipo N quando há histórico de desvio inexplicado em TUS/SAT, ou quando o processo opera recorrentemente nas faixas críticas do termopar tipo K.
- Em algumas aplicações, o termopar tipo N pode substituir termopares nobres (S, R) a uma fração do custo.
- A Contemp oferece termopar tipo N, geralmente com bainha de Inconel 600, em boa parte da sua linha de termopares.
Fale com a Contemp
Se o histórico de TUS ou SAT da sua planta mostra desvios sem explicação física clara no forno, pode ser hora de avaliar a troca para tipo N nos pontos mais críticos. O laboratório de calibração da Contemp, acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025, ajuda a diagnosticar se o problema está no sensor. Fale com nossos especialistas.
Leia também, na nossa série sobre CQI-9:
- Conceitos Básicos da CQI-9
- CQI-9: Termopar Nobre vs. Não Nobre (link a confirmar)
- Termopar Tipo K: Guia Completo (link a confirmar após publicação)
- Calibração de Sensores para CQI-9


