Glossário da CQI-9: TUS, SAT, RBC e Outros Termos Explicados

Este glossário reúne, em definições curtas e diretas, os termos técnicos mais usados ao longo da nossa série sobre CQI-9. Use como referência rápida, ou como ponto de partida para os artigos completos sobre cada tema.

LetraTermoDefinição
AAIAG (Automotive Industry Action Group)Associação da indústria automotiva americana responsável por publicar e revisar a CQI-9 e as demais CQIs — avaliações de processos especiais. Foi fundada para padronizar requisitos de qualidade entre montadoras e fornecedores.
BBainhaTubo de proteção que envolve o fio do termopar, isolando-o do ambiente do processo. Pode ser metálica, como aço inox ou Inconel, para termopares de metal básico, ou cerâmica de alta pureza para termopares nobres, que são sensíveis à contaminação por vapores metálicos.
CCabo de compensaçãoCabo especial usado para estender a ligação de um termopar até o instrumento de leitura. É fabricado com ligas que mantêm a mesma característica termoelétrica do sensor original. Usar um cabo incompatível com o tipo de termopar gera erros de medição.
CCalibraçãoProcesso de medir um instrumento contra um padrão de referência rastreável para determinar seu erro. É diferente de ajuste, que corrige a leitura. A CQI-9 exige calibração acreditada pela RBC/Inmetro para os sensores usados em processos avaliados pela norma.
CCQI-9Publicação da AIAG, atualmente na 4ª edição, lançada em 2020, com uma 5ª edição já anunciada. Define os requisitos mínimos para avaliação e qualificação de sistemas de tratamento térmico, incluindo requisitos de pirometria e conformidade. Leia mais em Conceitos Básicos da CQI-9.
CCSR (Customer Specific Requirements — Requisitos Específicos do Cliente)Exigências adicionais definidas individualmente por cada montadora, além dos requisitos básicos da IATF 16949. A CQI-9 costuma ser referenciada como um CSR para fornecedores que realizam tratamento térmico.
DDeriva térmicaPerda progressiva de precisão de um sensor de temperatura ao longo do tempo, causada por fatores como oxidação, contaminação ou envelhecimento da liga. Pode ocorrer sem sinais visíveis até ser identificada em um TUS ou SAT.
GGreen rotFenômeno de oxidação seletiva do cromo em termopares tipo K, causado por atmosferas com baixo teor de oxigênio em temperaturas entre aproximadamente 800 °C e 1.260 °C. Não é provocado por excesso de oxigênio, como se costuma supor. Veja mais no artigo sobre o termopar tipo K.
HHTSA (Heat Treat System Assessment)Nome completo da avaliação CQI-9. Inclui uma autoavaliação anual do sistema de tratamento térmico como um todo, além dos Job Audits e dos testes de pirometria, como TUS e SAT.
IIATF 16949Norma de sistema de gestão da qualidade específica para a cadeia automotiva, construída sobre a base da ISO 9001. A CQI-9 se conecta à IATF 16949 principalmente pelas cláusulas 4.3.2, sobre Requisitos Específicos do Cliente, e 9.2.2.3, sobre auditorias do processo de fabricação.
IISO 17025Norma internacional que define os requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração. Um laboratório acreditado conforme a ISO 17025, como o da Contemp, garante que os certificados de calibração emitidos sejam rastreáveis e confiáveis.
JJob AuditAvaliação de peças específicas, amostradas por pedido e por cliente, prevista na Seção 4.0 da CQI-9. Complementa a autoavaliação HTSA, concentrando-se na conformidade de lotes reais produzidos.
RRBC (Rede Brasileira de Calibração)Rede de laboratórios de calibração acreditados pelo Inmetro, por meio da Cgcre, no Brasil. A calibração dos sensores usados em processos avaliados pela CQI-9 deve possuir rastreabilidade a um laboratório da RBC.
RRastreabilidade metrológicaCapacidade de relacionar o resultado de uma medição, por meio de uma cadeia contínua e documentada de calibrações, a um padrão de referência reconhecido nacional ou internacionalmente. É a base para resultados válidos de TUS e SAT.
SSAT (System Accuracy Test)Teste que verifica a precisão da cadeia completa de medição — sensor, cabo e instrumento — em comparação com um padrão de referência. Geralmente é realizado com frequência trimestral. Veja mais no artigo sobre o SAT na CQI-9.
SSensibilidadeQuantidade de tensão elétrica, medida em microvolts, que um termopar gera para cada grau Celsius de variação de temperatura. Termopares de metal básico possuem sensibilidade mais alta, próxima de 40 µV/°C, enquanto os nobres apresentam aproximadamente 10 µV/°C e exigem instrumentos de leitura mais precisos.
TTabela de processoConjunto de requisitos específicos que a CQI-9 estabelece para cada categoria de tratamento térmico, incluindo tolerâncias, frequências de testes e tipos de instrumentação. Aplica-se a processos como têmpera, revenimento, normalização e recozimento. Veja o panorama completo em As Tabelas de Processo da CQI-9.
TTermoparSensor de temperatura formado por dois metais ou ligas diferentes unidos em uma junção. Essa combinação gera uma tensão elétrica proporcional à diferença de temperatura entre a junção de medição e o ponto de referência, fenômeno conhecido como efeito Seebeck.
TTermopar nobreTermopar produzido com platina ou ligas de platina-ródio, como os tipos S, R e B. É usado em aplicações de alta temperatura e precisão e exige proteção cerâmica, não metálica, por ser sensível à contaminação.
TTermopar não nobre — ou de metal básicoTermopar fabricado com ligas metálicas comuns, como cromel-alumel, no tipo K, ou nicrosil-nisil, no tipo N. É mais econômico que os termopares nobres, mas está sujeito a mecanismos específicos de deriva, como o green rot.
TTolerância — Classe 1 e Classe 2Faixa de erro admissível para um termopar, definida pela IEC 60584. A Classe 1 possui limites mais restritivos e maior precisão que a Classe 2. As tolerâncias variam conforme o tipo de termopar e a faixa de temperatura.
TTUS (Temperature Uniformity Survey)Levantamento que mapeia a variação de temperatura entre diferentes pontos da zona útil de um forno. Utiliza múltiplos termopares de teste calibrados e geralmente é realizado com frequência anual. Veja mais no artigo sobre o TUS na CQI-9.
ZZona útil — ou zona qualificadaRegião dentro de um forno na qual a uniformidade de temperatura foi comprovada e certificada por meio do TUS. Peças processadas fora dessa zona não possuem garantia de permanência dentro da tolerância exigida pelo processo.

A

AIAG (Automotive Industry Action Group)

Associação da indústria automotiva americana responsável por publicar e revisar a CQI-9 e as demais CQIs (avaliações de processo especial). Fundada para padronizar requisitos de qualidade entre montadoras e fornecedores.

B

Bainha

Tubo de proteção que envolve o fio do termopar, isolando-o do ambiente do processo. Pode ser metálica (aço inox, Inconel) para termopares de metal básico, ou cerâmica de alta pureza para termopares nobres, que são sensíveis à contaminação por vapores metálicos.

C

Cabo de compensação

Cabo especial usado para estender a ligação de um termopar até o instrumento de leitura, feito com ligas que mantêm a mesma característica termoelétrica do sensor original. Usar um cabo incompatível com o tipo de termopar gera erro de medição.

Calibração

Processo de medir um instrumento contra um padrão de referência rastreável para determinar seu erro, diferente de ajuste, que corrige a leitura. A CQI-9 exige calibração acreditada (RBC/Inmetro) para todos os sensores usados em processos avaliados pela norma.

CQI-9

Publicação da AIAG, atualmente na 4ª edição (2020), com uma 5ª edição já anunciada, trazendo expansão de escopo de processos, pirometria reforçada e ferramentas automatizadas de conformidade. Define os requisitos mínimos para avaliação e qualificação de sistemas de tratamento térmico. Leia mais em Conceitos Básicos da CQI-9.

CSR (Customer Specific Requirements, Requisitos Específicos do Cliente)

Exigências adicionais definidas individualmente por cada montadora, além dos requisitos básicos da IATF 16949. A CQI-9 costuma ser referenciada como um CSR para fornecedores que realizam tratamento térmico.

D

Deriva térmica

Perda progressiva de precisão de um sensor de temperatura ao longo do tempo, causada por fatores como oxidação, contaminação ou envelhecimento da liga. Pode ocorrer sem sinal visível até ser detectada em um TUS ou SAT.

G

Green rot

Fenômeno de oxidação seletiva do cromo em termopares tipo K, causado por atmosfera com baixo teor de oxigênio entre aproximadamente 800°C e 1260°C, não por excesso de oxigênio como se costuma supor. Detalhado no artigo sobre o termopar tipo K.

H

HTSA (Heat Treat System Assessment)

Nome completo da avaliação CQI-9. Inclui uma autoavaliação anual do sistema de tratamento térmico como um todo, além dos Job Audits e dos testes de pirometria (TUS e SAT).

I

IATF 16949

Norma de sistema de gestão da qualidade específica para a cadeia automotiva, construída sobre a base da ISO 9001. A CQI-9 se conecta à IATF 16949 principalmente pelas cláusulas 4.3.2 (Requisitos Específicos do Cliente) e 9.2.2.3 (Auditorias do Processo de Fabricação).

ISO 17025

Norma internacional que define os requisitos gerais para a competência de laboratórios de ensaio e calibração. Um laboratório acreditado conforme ISO 17025, como o da Contemp, garante que os certificados de calibração emitidos são rastreáveis e confiáveis.

J

Job Audit

Avaliação de peças específicas, amostradas por pedido e por cliente, prevista na Seção 4.0 da CQI-9. Complementa a autoavaliação HTSA, focando na conformidade de lotes reais produzidos.

R

RBC (Rede Brasileira de Calibração)

Rede de laboratórios de calibração acreditados pelo Inmetro (via Cgcre) no Brasil. A calibração de sensores usados em processos avaliados pela CQI-9 precisa ser rastreável a um laboratório RBC, sem exceção.

Rastreabilidade metrológica

Capacidade de conectar o resultado de uma medição, por meio de uma cadeia contínua de calibrações, a um padrão de referência reconhecido internacionalmente. É a base de qualquer resultado válido de TUS ou SAT.

S

SAT (System Accuracy Test)

Teste que verifica a precisão da cadeia de medição completa (sensor, cabo e instrumento) contra um padrão de referência, geralmente com frequência trimestral. Detalhado no artigo sobre o SAT na CQI-9.

Sensibilidade

Quantidade de tensão elétrica (em microvolts) que um termopar gera para cada grau Celsius de variação de temperatura. Termopares de metal básico têm sensibilidade alta (cerca de 40 µV/°C); termopares nobres têm sensibilidade baixa (cerca de 10 µV/°C), exigindo instrumentos de leitura mais precisos.

T

Tabela de processo

Conjunto de requisitos específicos (tolerância, frequência de teste, tipo de instrumentação) que a CQI-9 define para cada categoria de tratamento térmico, como têmpera, revenimento, normalização ou recozimento. Veja o panorama completo em As Tabelas de Processo da CQI-9.

Termopar

Sensor de temperatura formado por dois metais ou ligas diferentes unidos em uma junção, que gera uma tensão elétrica proporcional à diferença de temperatura entre essa junção e o ponto de referência (efeito Seebeck).

Termopar nobre

Termopar feito de platina ou ligas platina-ródio (tipos S, R e B), usado em aplicações de alta temperatura e precisão. Exige proteção cerâmica, não metálica, por ser sensível à contaminação.

Termopar não nobre (ou de metal básico)

Termopar feito de ligas metálicas comuns, como cromel-alumel (tipo K) ou nicrosil-nisil (tipo N). Mais econômico que os termopares nobres, mas sujeito a mecanismos de deriva próprios, como o green rot.

Tolerância (Classe 1 e Classe 2)

Faixa de erro admissível para um termopar, definida pela IEC 60584. A Classe 1 é mais restritiva (maior precisão) que a Classe 2, e ambas variam conforme o tipo de termopar e a faixa de temperatura.

TUS (Temperature Uniformity Survey)

Levantamento que mapeia a variação de temperatura entre diferentes pontos da zona útil de um forno, usando múltiplos termopares de teste calibrados, geralmente com frequência anual. Detalhado no artigo sobre o TUS na CQI-9.

Z

Zona útil (ou zona qualificada)

Região dentro de um forno onde a uniformidade de temperatura foi comprovada e certificada pelo TUS. Peças processadas fora dessa zona não têm garantia de estarem dentro da tolerância exigida pelo processo.

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Se algum termo deste glossário apareceu na sua última auditoria e você não tem certeza se o seu processo está em conformidade, o laboratório de calibração da Contemp, acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025, pode ajudar. Fale com nossos especialistas.


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