Introdução: normas de qualidade automotiva não nascem prontas
Nenhuma norma de avaliação de processo especial surge pronta e definitiva. Ela nasce de um problema concreto, recalls caros, falhas recorrentes em componentes críticos, e a necessidade de dar às montadoras confiança de que um fornecedor de tratamento térmico, em qualquer lugar do mundo, segue o mesmo nível de rigor, e depois é revisada continuamente à medida que a indústria aprende com a própria aplicação da norma. A CQI-9 é um exemplo direto disso: já está na sua quinta geração, e cada uma delas existiu para fechar uma lacuna que a anterior deixou passar.
A trajetória da CQI-9, resumida
1ª edição: A resposta a uma onda de recalls
A AIAG publicou a primeira edição da CQI-9 em março de 2006, num momento em que uma sequência de recalls ligados a falhas de componentes tratados termicamente pressionava a cadeia automotiva a padronizar como o tratamento térmico era avaliado.
2ª edição (2007): revisão rápida de ajuste
Um ano depois da primeira publicação, a AIAG lançou a 2ª edição, um ciclo de revisão bem mais curto do que os que vieram depois, ajustando pontos identificados logo na aplicação inicial da norma.
3ª edição (2011): consolidação das tabelas de processo
Publicada em outubro de 2011, essa edição consolidou as tabelas de processo específicas por tipo de tratamento térmico (ferrosos, alumínio, indução, entre outras), formato que segue, em essência, até hoje.
4ª edição (2020): o salto de rigor estrutural
A 4ª edição trouxe a mudança mais impactante em termos de rigor de auditoria: exigências que antes viviam agrupadas no mesmo parágrafo passaram a ser listadas como itens separados, o que reduz a chance de uma organização atender parcialmente a um requisito sem perceber. Também trouxe requisitos técnicos novos, como certificação de gases pré-misturados a cada remessa, verificação semanal de vazamento em câmaras de atmosfera controlada, e uma tabela de processo própria para Hot Stamping.
A 5ª edição: o que ela traz
A AIAG já anunciou publicamente o conteúdo da próxima revisão da CQI-9. Três frentes concentram a maior parte da mudança:
- Expansão do escopo de processos: a auditoria passa a cobrir processos adicionais de tratamento térmico, além dos já previstos nas tabelas atuais.
- Pirometria reforçada: orientação mais detalhada sobre calibração, rastreabilidade e requisitos de instrumentação, aprofundando o caminho que já vinha sendo trilhado desde a 4ª edição.
- Ferramentas automatizadas de análise de conformidade: recursos de análise de gap automatizada, sinalizando um movimento de digitalização do próprio processo de auditoria.
O foco declarado da AIAG para essa revisão é reduzir defeitos e recalls ligados a campanhas de qualidade, reforçar a prevenção de erros e trazer mais clareza aos requisitos de processo.

Quando ela chega
A AIAG ainda não publicou uma data de lançamento. O que a própria AIAG afirma é que antecipa lançar a nova versão em algum momento do 4º trimestre de 2026. Até lá, a 4ª edição (2020) continua sendo o documento oficial em vigor.
Como se preparar antes do lançamento
- Releia seus procedimentos item por item, seguindo a lógica de itens separados introduzida na 4ª edição, já que a 5ª edição tende a manter ou aprofundar esse nível de granularidade.
- Revise a documentação de pirometria e calibração, uma das áreas explicitamente citadas como reforçada na nova edição.
- Mapeie se seu processo se encaixa em alguma das novas categorias anunciadas, para não ser pego de surpresa por uma tabela de processo que passar a exigir avaliação.
- Confirme com seus clientes qual edição vai valer na próxima auditoria, assim que a nova versão for publicada.
Comparativo das edições
| Edição | Ano | O que marcou essa edição |
|---|---|---|
| 1ª | 2006 | Criação da norma, resposta a recalls de componentes tratados termicamente |
| 2ª | 2007 | Revisão de ajuste, um ano após a primeira edição |
| 3ª | 2011 | Consolidação das tabelas de processo por tipo de tratamento térmico |
| 4ª | 2020 | Requisitos quebrados em itens separados, gases pré-misturados, Hot Stamping, monitoramento de têmpera |
| 5ª | Anunciada, sem data de lançamento publicada, comprevisão para o 4° trimestre de 2026 | Expansão de processos, pirometria reforçada, ferramentas automatizadas de análise de conformidade |
Perguntas frequentes
- Por que a CQI-9 já vai na 5ª edição?
Porque é uma norma viva, revisada para incorporar lições aprendidas da própria aplicação prática na indústria, novos processos de fabricação e evolução tecnológica na forma de auditar. - Quando a 5ª edição é lançada?
A AIAG ainda não publicou uma data oficial. A própria AIAG afirma antecipar o lançamento para algum momento do 4º trimestre. - A 4ª edição ainda é válida?
Sim, é o documento oficial em vigor hoje, e continua sendo a referência até que a 5ª edição seja publicada e formalmente exigida pelo seu cliente ou certificador. - O que muda na prática com a 5ª edição?
Expansão do escopo de processos avaliados, requisitos de pirometria mais detalhados, e ferramentas automatizadas para análise de conformidade, segundo o que a AIAG já anunciou. - A rastreabilidade metrológica muda a cada edição?
Os princípios de rastreabilidade (calibração acreditada RBC/Inmetro, conforme ISO 17025) são a base da conformidade desde as primeiras edições. O que muda, edição a edição, é o detalhamento dos requisitos ao redor da pirometria.
Resumindo
- A CQI-9 já passou por quatro edições publicadas: 1ª (2006), 2ª (2007), 3ª (2011) e 4ª (2020), a atualmente vigente.
- Uma 5ª edição já foi anunciada pela AIAG, com expansão do escopo de processos, pirometria reforçada e ferramentas automatizadas de conformidade, mas sem data de lançamento publicada até o momento.
- Cada edição existiu para fechar uma lacuna que a anterior deixou passar, da padronização inicial em 2006 até o rigor estrutural da 4ª edição.
- Vale começar a se preparar para os temas já anunciados da 5ª edição, mesmo antes da publicação oficial.
- A rastreabilidade metrológica continua sendo a base da conformidade, em qualquer edição da norma.
Fale com a Contemp
Acompanhar a evolução da CQI-9, da edição vigente à transição que está em curso, é onde a experiência da equipe técnica da Contemp faz diferença. Nosso laboratório, acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025, mantém sua rastreabilidade metrológica alinhada ao que cada nova geração da norma vai exigir. Fale com nossos especialistas.