SAT na CQI-9: Como Funciona o Teste de Acuracidade do Sistema

Introdução: um forno perfeitamente uniforme, medido por um sistema que mente

No artigo anterior desta série, mostramos como o TUS garante que a temperatura é a mesma em qualquer ponto da zona útil do forno. Mas existe uma pergunta que o TUS sozinho não responde: e se o instrumento que está lendo essa temperatura, do sensor ao painel, estiver errado?

Um forno pode ser tecnicamente perfeito, com uniformidade impecável, e ainda assim produzir peças fora de especificação porque o sistema de medição (sensor, cabo e instrumento) está indicando um valor que não corresponde à realidade. É exatamente essa lacuna que o SAT (System Accuracy Test, ou Teste de Acuracidade do Sistema) existe para fechar.

O que o SAT mede, na prática

Enquanto o TUS compara vários pontos do forno entre si, o SAT compara a cadeia de medição inteira, sensor mais cabo mais instrumento indicador ou registrador, contra um padrão de referência calibrado e rastreável, no mesmo ponto físico. A pergunta que o SAT responde não é “a temperatura é uniforme?”, é “o número que aparece no painel é o número real?”.

Passo a passo: como um SAT é conduzido

Diferente do TUS, que cobre toda a zona útil, o SAT costuma ser feito no ponto onde já existem os sensores de controle e de registro do forno, já que o objetivo é validar a cadeia de medição usada no dia a dia do processo, não mapear variação espacial.

2. Posicionamento do termopar de referência

Um termopar padrão, calibrado e rastreável (RBC/Inmetro, conforme ISO 17025), é posicionado o mais próximo possível do sensor sob teste, garantindo que os dois estejam expostos praticamente ao mesmo ambiente térmico no momento da leitura.

O forno é levado à temperatura real de processo (ou às temperaturas relevantes, se o processo opera em mais de uma faixa), e aguarda-se a estabilização antes de qualquer leitura.

4. Comparação simultânea

As leituras do sistema (sensor, cabo, instrumento) e do padrão de referência são registradas ao mesmo tempo, no chamado método probe, o mais utilizado para esse tipo de verificação.

A diferença entre a leitura do sistema e o padrão de referência é comparada ao desvio máximo admissível para aquele tipo de sensor e aplicação. Sensores não nobres costumam ter tolerâncias diferentes de sensores nobres, o que reforça a importância da escolha correta do termopar discutida no artigo sobre termopares nobres e não nobres.

6. Isolamento da causa em caso de reprovação

Uma vantagem prática do SAT é permitir isolar onde está o problema na cadeia: pode ser o sensor (deriva, contaminação, envelhecimento), o cabo de extensão ou compensação, ou o próprio instrumento indicador ou registrador. Corrigir sem saber qual elo falhou costuma gerar retrabalho desnecessário.

Com que frequência o SAT precisa ser feito

A prática de mercado alinhada à CQI-9 estabelece periodicidade trimestral para o SAT na maioria dos processos, mais frequente que o TUS justamente porque a cadeia de medição (sensores, cabos, contatos) está sujeita a desgaste e deriva com mais rapidez do que a estrutura física do forno muda. Assim como no TUS, os prazos exatos podem variar conforme a classificação do forno e o tipo de instrumentação, e o ideal é confirmar contra a tabela vigente aplicável ao seu processo.

TUSSAT
O que validaUniformidade de temperatura entre pontos do fornoAcuracidade da cadeia de medição em um ponto específico
Pergunta que respondeA temperatura é igual em qualquer lugar da zona útil?O número no painel corresponde à temperatura real?
Frequência típicaAnual (6 meses para alumínio)Trimestral
O que usaMúltiplos termopares de teste distribuídos na zona útilUm termopar de referência posicionado junto ao sensor do sistema

Perguntas frequentes

O SAT substitui o TUS, ou são testes separados? São complementares, não substitutos. O TUS garante que o forno é uniforme; o SAT garante que o sistema que mede essa uniformidade é confiável. A CQI-9 exige os dois.

Por que o SAT é mais frequente que o TUS?

Porque a cadeia de medição (sensor, cabo, instrumento) está sujeita a desgaste, contaminação e deriva com uma velocidade maior do que a estrutura física do forno muda. Um sensor pode perder precisão em poucos meses de uso intenso, mesmo que o forno em si continue fisicamente estável.

O que é o “método probe” citado na CQI-9?

É o método mais comum de SAT, no qual um termopar de referência calibrado é posicionado junto ao sensor do sistema, e as duas leituras são comparadas simultaneamente no mesmo ambiente térmico.

Um sensor pode passar no SAT e ainda assim estar errado?

Se o teste for feito corretamente, com termopar de referência rastreável e no ponto certo, um SAT aprovado é uma boa evidência de que a cadeia está confiável naquele momento. Por isso a frequência trimestral importa: ela limita o tempo que um desvio pode passar despercebido.

A Contemp realiza o SAT com rastreabilidade completa?

Sim. O laboratório de calibração da Contemp é acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025, e realiza SAT e TUS com termopares de referência rastreáveis, entregando o certificado de calibração exigido pela CQI-9 junto com o relatório do teste.

Resumindo

  • O SAT valida a cadeia de medição inteira (sensor, cabo, instrumento) contra um padrão de referência, no ponto onde já existem os sensores de controle do forno.
  • O método mais comum é o probe: um termopar de referência posicionado junto ao sensor do sistema, com leituras comparadas simultaneamente.
  • A frequência típica é trimestral, mais curta que o TUS, porque a cadeia de medição se degrada mais rápido que a estrutura do forno.
  • Um SAT bem feito permite isolar onde está o problema: sensor, cabo ou instrumento, evitando retrabalho por correção no elo errado.
  • TUS e SAT são complementares: um sem o outro deixa uma lacuna na conformidade com a CQI-9.

Fale com a Contemp

O laboratório de calibração da Contemp, acreditado pela Cgcre/Inmetro (CAL 0224) conforme ISO 17025, realiza SAT e TUS com rastreabilidade completa para conformidade com a CQI-9. Fale com nossos especialistas antes da sua próxima auditoria.

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A Contemp tem expertise na fabricação e comercialização de produtos para medição e controle de temperatura em em processos industriais.
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