Conceitos Básicos da CQI-9

Uma CQI (Control Quality Improvement) é uma publicação que visa dar parâmetros específicos com requisitos voltados a processos críticos, sempre quando não há maneiras de qualificar o resultado deste processo.

Imagine, por exemplo que para medir se uma peça que passou por um processo de têmpera está com a dureza correta, é necessário realizar a medição diretamente na peça com um durômetro ou realizar um ensaio metalográfico. Assim, ou se destrói a amostra ou se deixa marcas de teste e possíveis fragilidades na estrutura. Isso inviabiliza medir ou testar 100% do lote produzido.

Em outras palavras, sempre que não for possível avaliar parâmetros de uma determinada peça ou produto sem alterar suas características, seja através de ensaios destrutivos ou testes de medição, se aplica uma CQI. O foco é garantir que o processo crítico seja capaz de produzir peças ou produtos dentro das especificações de maneira adequada, estável e uniforme.

Então existe uma série de CQI’s publicadas de acordo com o processo crítico específico, Tais como:

  • CQI-11 (Avaliação de processos de deposição de materiais)
  • CQI-12 (Avaliação de processos de revestimento)
  • CQI-27 (Avaliação de processos de Fundição)

Veja mais em https://www.aiag.org/

Isto posto, vamos seguir uma série de artigos explorando os tópicos da CQI-9.

O que é a CQI-9?

A CQI-9 (Processo Especial: Avaliação do Sistema de Tratamento Térmico) é uma publicação da AIAG (Automotive Industry Action Group), atualmente na versão 4.0 de 2020, que estabelece requisitos mínimos para a avaliação e qualificação de sistemas de tratamento térmico em processos industriais.

Ela funciona como um guia de aplicação e auditoria para fornos e equipamentos térmicos, cobrindo desde a calibração de sensores até o monitoramento de processos críticos como têmpera, revenimento, normalização e recozimento.

Elementos centrais:

  • Documentação obrigatória: Registros de vida útil de termopares, treinamentos de operadores e planos de ação corretiva.
  • Rastreabilidade metrológica: Exige calibração anual acreditada (Inmetro/RBC) para os sensores de temperatura e para os indicadores/registradores de temperatura.
  • SAT (System Accuracy Test): Verificação da precisão do sistema (sensor + cabo + instrumento), com desvios máximos admissíveis e diferentes métodos de teste.
  • TUS (Temperature Uniformity Survey): Mapeamento térmico na zona útil do forno, com tolerâncias específicas para têmpera e revenimento que veremos em próximos artigos.

A CQI-9 não é uma norma certificável isolada, mas um requisito mandatório para fornecedores Tier 1 e Tier 2 da cadeia automotiva, integrando-se à IATF 16949.

Para que ela foi criada?

A CQI-9 foi desenvolvida em 1996 pela AIAG, a pedido das montadoras americanas (Big 3: GM, Ford, Chrysler), para padronizar e reduzir variabilidade em processos térmicos, que historicamente causavam falhas em componentes como engrenagens, virabrequins e eixos – com índices significativos de refugo e recalls caros.

Contexto de criação:

  • Problemas recorrentes na indústria automotiva: Desvios térmicos levavam a propriedades mecânicas inconsistentes (dureza, tenacidade), aumentando riscos de fraturas prematuras nas peças, gerando riscos aos usuários e comprometendo a segurança e a qualidade dos veículos.
  • Resposta a auditorias globais: Antes da CQI-9, faltava um protocolo unificado para TUS/SAT, resultando em inconformidades em auditorias VDA 6.3 e ISO/TS 16949.
  • Integração metrológica: Inspirada na ISO17025 e GUM (Guia para a expressão da Incerteza de Medição), para garantir rastreabilidade ao SI via RBC/Inmetro, evitando “calibrações caseiras” sem incerteza calculada e resultados confiáveis.

Em resumo, ela surgiu para transformar o tratamento térmico de reativo em proativo, minimizando perdas financeiras (retrabalho, multas) e elevando a qualidade global de fornecedores.

Quais são os objetivos da CQI-9?

Os objetivos da CQI-9 são garantir estabilidade, repetibilidade e conformidade em processos térmicos, alinhados à qualidade, rastreabilidade e segurança operacional.

Principais metas:

  • Reduzir variabilidade do processo: Alcançar estabilidade em zonas críticas, com monitoramento em tempo real de temperatura, tempo de residência e taxas de resfriamento.
  • Assegurar qualificação de equipamentos: TUS anual e SAT trimestral, com ações corretivas para desvios maiores que a tolerância.
  • Promover boas práticas metrológicas: Calibração acreditada (RBC/INMETRO) de termopares (NBR 13770), Termorresistências (NBR 13772) e controladores de temperaturas, com emissão de certificado de calibração conforme a ISO17025.
  • Gerenciar riscos operacionais: Identificação de modos de falha (FMEA térmico), treinamento de pessoal e auditorias internas anuais.

Impacto prático: Em setores automotivo/metalúrgico, evita perdas por inconformidade (ex.: reprovação em auditorias OEM), diminui custo com refugo e retrabalhos e fortalece a cadeia de suprimentos.

Resumindo:

  • CQI-9 é o padrão AIAG para avaliação de sistemas térmicos, com foco em TUS/SAT e rastreabilidade RBC.
  • Criada para padronizar auditorias automotivas, combatendo variabilidade e falhas mecânicas.
  • Objetivos centrais: Estabilidade de processos críticos, risco zero e conformidade global.

Laboratório de Calibração da Contemp

O laboratório da Contemp, acreditado pelo RBC/Inmetro, oferece calibração de termopares, termorresistencias e controladores, além de TUS/SAT para conformidade CQI-9 com foco nas industrias automotivas e autopeças.

Nos próximos artigos vamos nos aprofundar mais em alguns temas abordados aqui.

Até a próxima!

Picture of Contemp

Contemp

A Contemp tem expertise na fabricação e comercialização de produtos para medição e controle de temperatura em em processos industriais.
>

Fale com nossos especialistas

LOGO CONTEMP